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Depoimentos de notáveis sobre a Casa da Flor:
"Muitos vão se surpreender mas, para mim, uma das obras mais importantes da arquitetura brasileira é a Casa da Flor.
... Para mim, é um exemplo raro de arquitetura espontânea, poética, sem qualquer imposição. A fachada você jura que é Gaudí."
Ariano Suassuna, Revista AU - Arquitetura e Urbanismo
Ano 16 - n.º 94 fev/mar 2001
"O viajante acende um cigarro; fuma em silêncio. Hoje não está pensando na
semelhança entre a casa de Gabriel e a arquitetura de A. Gaudí. Olha os cacos, reflete
sobre sua própria existência. Também ela - como a de qualquer pessoa - é
feita de pedaços de tudo que se passou. Mas, em determinado momento, estes fragmentos
começam a tomar forma."
Paulo Coelho, escritor
"E ali, quase por um século, viveu um preto solitário transformando a pedra em flor. inutilmente. Ludicamente. Lindamente, com aquela pureza que só iluminados tem".
Affonso Romano de Sant'Anna, poeta.
"Uma linguagem só não bastava a esse autor. Construía, esculpia, pintava, grudava, revestia. No entanto, ainda faltava expressão: aí escrevia dentro da casa, fazendo dela agenda, arquivo, dicionário. A obra poética foi esticada até os limites".
Carlos Nelson Ferreira dos Santos, arquiteto e antropólogo.
"...ele se transformou num missionário, a casa num templo e as flores na beleza da divindade."
Carlos Byington, analista yunguiano.
"Breton e Dali, se a vissem, elevariam seus cânticos a ela, pois nela tudo é surreal. Tudo desabrochava, explodindo em flores."
Fernando Fuão, arquiteto.
"...tem efeitos visuais tão lindos e inesperados quanto os muros do Park Guell de Antoni Gaudí, em Barcelona..."
Ítalo Campofiorito, arquiteto.
"Gabriel Joaquim dos Santos, criador e solitário ocupante da Casa da Flor, conseguiu em vida integrar fantasia e realidade, pôde materializar sua emoção e habitar literalmente dentro de seu sonho. Sua morada é um organismo vivo, um corpo, um coração."
Amelia Zaluar, pesquisadora.
"...é sobretudo a vitória de um homem pobre sobre a banalidade aparente da vida, sobre sua condição de pobreza e necessidade." "...aproveitava o que não servia para mais nada, para ninguém, nem para os pobres. Só para a beleza. E assim nos revelou a beleza, a arte, como a última redenção possível das coisas sem serventia."
Ferreira Gullar, poeta.
"Um homem não mais a construiu/colada ao sonho/acariciando/o caco/que encontrara/até fazer/florir/o que disseram/lixo."
Eucanaã Ferraz, poeta.
"Não uma casa comum, igual a todas as outras, porque isso não é próprio de artista, mas uma casa poética que se abre aos nossos olhos como flor selvagem, por isso pura, linda, mesmo feita de restos de lixo industrializados."
Geraldo Edson de Andrade, crítico de arte.
"A Casa da Flor revela, simbolicamente, em cada pedaço, em cada caco, fragmentos reunidos, a força dos oprimidos, em uma opção social e popular. Gabriel recupera e repara, aos olhos do negro que é, sua gente jogada fora, dispersada pelo Brasil, escória de uma sociedade branca e cruel."
José Meirelles, psicanalista.
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